quinta-feira, agosto 14, 2008

Cachalotes ejaculam na quarta, comem ovos de coderniz no sábado e têm vontade de acordar cedo no domingo.

Cuecas às riscas, noites sem sono.
Cães pretos de língua de fora, fungos nos pés.
Barrigas de velha, línguas da sogra.
Bandeiras americanas, olheiras de cavalo.
Cadeiras partidas, noites brancas e monitores de natação.
Violência, sapatos rotos, cigarros.
Permanentes, bacalhau com todos, fertilidade reduzida.

Dormente, divertimento, guitarras.
Bairro alto, xisto desesperado.

segunda-feira, maio 26, 2008

O verbo

Presente do Indicativo
Pretérito Perfeito do Indicativo
Pretérito Imperfeito do Indicativo
partilho
partilhas
partilha
partilhamos
partilhais
partilham
partilhei
partilhaste
partilhou
partilhámos
partilhastes
partilharam
partilhava
partilhavas
partilhava
partilhávamos
partilháveis
partilhavam
Pretérito Mais-que-Perfeito do Indicativo
Futuro do Indicativo
Condicional
partilhara
partilharas
partilhara
partilháramos
partilháreis
partilharam
partilharei
partilharás
partilhará
partilharemos
partilhareis
partilharão
partilharia
partilharias
partilharia
partilharíamos
partilharíeis
partilhariam
Presente do Conjuntivo
Imperfeito do Conjuntivo
Futuro do Conjuntivo
partilhe
partilhes
partilhe
partilhemos
partilheis
partilhem
partilhasse
partilhasses
partilhasse
partilhássemos
partilhásseis
partilhassem
partilhar
partilhares
partilhar
partilharmos
partilhardes
partilharem
Infinitivo pessoal
Imperativo
Gerúndio
partilhar
partilhares
partilhar
partilharmos
partilhardes
partilharem
partilha
partilhe
partilhemos
partilhai
partilhem
partilhando
Particípio Passado


partilhado


segunda-feira, maio 12, 2008

Sinto a falta dela a cada momento que passa.
Cada vez que olho para o relógio penso na próxima vez que vou sentir o seu cheiro.

Tudo falha, em todos os aspectos, não sou quem quero ser, não sinto o que quero sentir. Sou uma função da sua ausência. Gostaria de ter existência, mas não tenho. sou um gráfico numa parede de escritório. Sou o tempo que falta para voltar a existir.

As mil e uma maneiras de sentir a sua falta não me fazem sentir, quando o único sentimento que me preenche é a alegria de estar com ela.

Nada, nem ninguém poderá algum dia compreender o que é esta existência condicionada, apenas o carpinteiro sentiu isto antes de mim. Destinos bem diferentes, mas a mesma sensação de vazio e impotência perante o mundo.

Um café e um cigarro e vou dormir. Passar o tempo. Suspender a vida, até amanhã, quando possivelmente vou voltar a sentir o toque do paraíso e o hálito da felicidade.

quarta-feira, abril 09, 2008



ausência

do Lat. absentia

s. f.,
afastamento de pessoa, animal, etc. do lugar em que deveria estar;
falta de comparência ou de assistência;
a não existência.


saudade

do ant. soedade, soidade, suidade e do Lat. solitate, com influência de saudar

s. f.,
lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir;
pesar pela ausência de alguém que nos é querido;
nostalgia;

terça-feira, março 18, 2008

Sexo, preciso de sexo para viver para ser feliz. Sexo para despertar sonhos. Sexo para evitar a depressão. Sexo para me sentir apreciado. Sexo. Sexo. Sexo.


"Diverte-te com as pessoas erradas, eventualmente encontras a pessoa certa"

"Sabes que não é fácil para ti encontrar a pessoa certa."

É divertido, foi divertido. O velho Pacheco escreveu sobre o "esguichar do corpo" e eu esguichei.
Mas o divertimento é fútil. Sinto-me traido, traido pela mesma pessoa que me faz a barba todas as manhãs. Pela mesma pessoa que me repete todos os dias: "És o maior!". A mesma pessoa que veste o colete do meu fato preto e pensa ser a reencarnação de todos os poetas mortos.

Joana

Tenho uma dor no braço esquerdo que me faz pensar. A esperança, mais uma vez, abandonou-me por completo. Não há muito a fazer... fico com o Cohen, novamente o Cohen.

Now the flames they followed joan of arc

As she came riding through the dark;
No moon to keep her armour bright,
No man to get her through this very smoky night.
She said, I’m tired of the war,
I want the kind of work I had before,
A wedding dress or something white
To wear upon my swollen appetite.

Well, I’m glad to hear you talk this way,
You know I’ve watched you riding every day
And something in me yearns to win
Such a cold and lonesome heroine.
And who are you? she sternly spoke
To the one beneath the smoke.
Why, I’m fire, he replied,
And I love your solitude, I love your pride.

Then fire, make your body cold,
I’m going to give you mine to hold,
Saying this she climbed inside
To be his one, to be his only bride.
And deep into his fiery heart
He took the dust of joan of arc,
And high above the wedding guests
He hung the ashes of her wedding dress.

It was deep into his fiery heart
He took the dust of joan of arc,
And then she clearly understood
If he was fire, oh then she must be wood.
I saw her wince, I saw her cry,
I saw the glory in her eye.
Myself I long for love and light,
But must it come so cruel, and oh so bright?

quarta-feira, fevereiro 27, 2008


A palavra repete-se, mas é necessário repetir puta, mil vezes puta, mil vezes putas, mil vezes cabras, mil vezes merda sem valor e sem alma. Elas não existem só no trabalho existem na nossa vida, dormimos com elas, de vez em quando até casamos com elas e algumas vezes até são as mães dos nossos filhos, mas putas.... reles putas, sem valor para se poderem denominar de grandes putas, porque essas usam a condição como uma coroa de glória, e elas escondem-na por detrás de sorrisos e promessas falsas.

A esporra corria-lhe por entre as pernas e ela repetia palavras de amor, quente e viscosa a memória, mas não importa. É preciso o homem certo, com o projecto, com o plano com a vontade de lhe lamber a merda do cú. É necessário ser um rato, para ter direito há doce mentira. Mas é fundamental não ter coluna vertebral, não ter consciência, não ser nada para além merda para ir ao encontro do seu amor com esporra escorrendo por entre as pernas.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Pombos, Ratos e Tainhas

Quando tudo o resto falhar, tenho a companhia dos pombos, dos ratos e das tainhas. Fazem-me chegar a casa tarde, levantar-me demasiado cedo e ficar 10 horas consecutivas à frente do computador para não conseguir fazer nada.

Admiro os pombos, os ratos e as tainhas por muito que eu faça e os queira mudar nunca vão deixar de ser bichos que gostam de viver na merda. E um peido seu, não é só um peido mas uma torrente de merda que me me afoga.

Ainda bem que cresci em Cacilhas e em pequenino chapinhava nas águas do Tejo.

domingo, fevereiro 10, 2008

Carta Quase de Amor

Quero morrer ao teu lado. Roer as tuas unhas sujas. Mudar-te as fraldas cagadas. Dar-te banho de esponja quando já não conseguires sair da cama. Ouvir-te gritar para o reflexo no espelho quando estiveres senil. Quero beijar-te, quando tiveres todos os dentes podres e o teu hálito for igual ao de uma ratazana de esgoto. Quando não fores mais do que uma lembrança da mulher, ser humano, quero ser eu agarrado ao teu cadáver gritando palavras de desespero.

Quero isto tudo, mas quero ainda mais. Quero o sabor e o conforto da tua vagina e palavras doces ao acordar. Porque antes do amor que não espera nada em troca quero se feliz. E ser feliz contigo.

Se não poder ser, tenho a minha colecção de filmes pornográficos e uma garrafa de redoma tinto colheita de 1996 ao meu lado, que apesar de não ter vagina e não perceber nada de cinema tem um corpo bem melhor que o teu.

sábado, fevereiro 09, 2008

Liberdade de Pensamento

O pensamento não é controlado por nada nem por ninguém. Os meus pensamentos particularmente nem por mim são controlados. Por isso penso em:

  1. suicídio
  2. pedofilia
  3. homossexualidade
  4. todo o tipo de parafilias
  5. abortos
  6. beatas
  7. sémen
  8. unhas
  9. Cristos de materiais diversos
  10. Vendedores de enciclopédias nus
  11. mulheres com mamoplastias
  12. comer merda
  13. cuecas de senhora com borboto
  14. beber urina
  15. e uma carrada de outras coisas bem mais nojentas
E a verdade meus caros é que não me parece que em dia algum vá aparecer à porta das vossas casas nu com hálito a a merda, carregando enciclopédias. Até posso pensar nisso, o pensamento é livre, mas tenho bom senso e não me parece que o vá perder nos próximos tempos.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Carta quase suícida

As beatas são sinais do futuro que está para vir... As palavras que dizem são marcas do passado (mal vivido?) que transpiraram para a pele. O tempo que não tenho, e as teclas pretas do piano serão o meu (teu? nosso?) futuro. Quero um pouco de álcool um pouco de esquecimento, sabedoria, para poder suportar a ignorância do que me rodeia.

Gosto de vocês, mas não consigo viver assim, sinto-me só. Sei que ao falar não estou a comunicar com ninguém, não tenho opções na vida. As opções resumem-se a isto: trabalhar para ganhar dinheiro para gastar para ter onde gastar dinheiro para ser feliz para foder para não pensar para não me matar.

Quero uma porta. Um caminho um saída. Está tudo fechado, tudo acabado, tudo perdido. Aos 31 anos, não tenho esperança. Não tenho nada para ou porque viver. Só beatas num cinzeiro e uma casa vazia. Não há paixões por muito grandes que sejam que me preencham a alma, não há mulheres por muito profundas que sejam que façam sentir. Quero a porta, a janela, o buraco, o espelho para ir para outro lado, o outro lado.

Um dia vou ser a Alice, fugir daqui para um mundo de cogumelos mágicos e gatos sorridentes. Por enquanto, sorriu quando devo e falo quando não devo fazendo rir com as minhas tonterias.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Roubo de Igreja

Uma mulher sem pernas era o que me convinha, uma mulher que não pudesse fugir. Uma mulher sem braços ainda me convinha mais, uma mulher que não se agarrasse demasiado a mim se tornasse pegajosa. Um mulher tonta seria perfeito, uma que não entendesse o que eu digo e não se sentisse ofendida pela minha arrogância. Um homem isso sim, seria de facto o amor que iria durar o resto da minha vida, a pixa ajuda à compreensão.
A erecção matinal faz com que o mundo pareça mais simples, e é isso no fundo que eu quero simplicidade.

Zee TV

Eu quero ter a Zee TV no meu pacote da cabo visão, nos serões em vez de ouvir musica e escrever patetices, vou passar a ver filmes indianos. Os dramas em que as pessoas cantam e dançam são sempre mais verosimeis. Já dizia a canção "the lapdance is so much better when the stripper is crying".

domingo, fevereiro 03, 2008

O meu problema com as mulheres

O meu problema com as mulheres é gostar delas, eu gosto verdadeiramente das mulheres. Não sou um Don Juan, sou um tipo normal, que gosta de mulheres. Gosto tanto das mulheres que muitas vezes desejo ser uma mulher, cortar a minha lembrança de masculinidade e ser uma delas. E esse é o meu problema, não sou capaz de falar nenhuma delas com o ar matador de quem vai ao talho comprar um bife da vazia.

Apaixono-me, fico sem poder de reação e sou sincero, outras vezes faço de conta que estou apaixonado apenas para partilhar momentos de falsa sinceridade com uma mulher. Gosto de estar perto delas e saber o que elas sentem. Os problemas surgem quando me apaixono verdadeiramente.

Nunca partilhei nenhuma relação por uma mulher por a qual me tenha apaixonado. É razão é muito simples: perante a paixão sou, como já disse, absolutamente sincero. Não consigo guardar o sentimento dentro de mim. Faço esforços hercolianos para tal, mas são esforços falhados. Ao fim de pouco tempo, sou um Shakespeare sem talento derramando palavras de amor sobre a mulher desejada. Ela, e elas são todas iguais, pelo menos neste aspecto, fogem perante as tais demonstrações de amor. A mulher, tanto quanto me foi dada a conhecer, gosta ser apanhada de surpresa, como um pequeno Bambie que descobre o que quer dizer a eternidade quando sente os dentes do tigre no seu pescoço. Nenhuma mulher gosta de ouvir declarações de amor, a não ser quando já desesperam por elas. Por isso sempre me foi mais fácil seduzir as mulheres por quem não sinto a necessidade de demonstrar amor.

A verdade, verdadinha, seja eu ceguinho, é que as mulheres por quem eu me apaixono são muito mais interessantes do que aquelas por quem acabou ter relações que duram anos. São sempre mais inteligentes, mas bonitas e mais problemáticas. Digo isto com conhecimento, pois apesar de passar tempo com as mulheres com quem sou obrigado a partilhar a vida, também o passo com as outras cujos lábios me dizem beija-me e me obrigam depois a pedir por favor.

Mas agora tenho cabelos brancos e estou cansado de estar com mulheres com quem pouco ou nada posso partilhar. Quero definivamente a Mulher, por isso vou bater com a cabeça na parede até a ter. Mesmo que para isso tenha que travestir os meus sentimentos e transformá-los em paixão passada que agora são apenas amizade.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008



Estou velho, à 3ª é de vez , mas parece que estou na quarta.
O quarto tem a cama por fazer e as meias sujas de ontem no chão. Na cozinha a garrafa de Coca-Cola ficou aberta, de manhã precisava de alguma coisa doce. O cinzeiro ainda cheio de beatas ficou na mesa da sala.

Mais logo vou voltar, abrir uma cerveja, sentar-me no sofá, ouvir o Tom Waits cantar sobre maus fígados e corações partidos e amanhã talvez seja sábado ou domingo e não ainda a segunda.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

T já fez, o livro também. Eu voltei a fazer. O resultado é o mesmo do que da ultima vez:

You Are a Mermaid

You are a total daydreamer, and people tend to think you're flakier than you actually are.
While your head is often in the clouds, you'll always come back to earth to help someone in need.
Beyond being a caring person, you are also very intelligent and rational.
You understand the connections of the universe better than almost anyone else.


Mais uma vez, a palavra do tenente : "Ratão"

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Tenho uma carta de de recomendação escrita por um sonho de uma noite de verão. Não é todos os dias que uma peça de teatro, nos escreve uma carta de recomendação, na verdade devem ser poucos os casos de pessoas que pedem cartas de recomendação a obras do Shakespeare.

Li a carta com atenção e o único reparo que mereço é o facto de "ser carente". Não é grande falha. Vou actualizar o meu CV, anexar-lhe a carta e envia-la à muito barulho para nada, pode ser que tenha mais sorte do que com outras formas de literatura. Há sempre a possibilidade de um qualquer Titus me querer estragar a vida, mas não vou pensar nisso por agora.

sábado, janeiro 26, 2008

A minha avó não acreditava que o Homem já tinha ido à Lua, o meu avô pensava que o Carlos Magno era filho do Viriato. Reparei agora que não dinheiro na conta, que a minha vida fica adiada uma semana. Tenho a certeza que com um bocadinho de persistência consigo fazer melhor que o Afonso sem precisar de apanhar escaldões no Algarve.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

25 Jesuítas e um Setubalense à porta da pastelaria, queriam tomar o pequeno almoço, o pasteleiro está de greve e hoje não há bolos.
As mocinhas são terríveis, bichos sem pés nem cabeça. São como a senhora de ontem "Sabe quem são as melhores pessoas para se verem no escuro?". Até pensam as coisas antes de as dizer, mas quando falam, Deus as livre, o nexo e o bom senso ficou preso de baixo da língua.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

É um pedacinho da minha vida. Um pedacinho muito pouco interessante da minha vida. Não vale a pena ser relatado. É coisa para ser sentida, não pensada.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

O Adeus à casca de amendoim

Falei com a minha amiguinha um bocadinho ontem à noite e deixei-a seguir o seu caminho ao sabor do vento, janela fora foi ela cheia de alegria por ir finalmente conhecer o mundo.
Quando cheguei a casa e abri o guardanapo para ver em que estado ela estava, ela olhou para mim com desprezo, já tinha ouvido falar das patetices dos últimos dias. Com o punho levantado, ou pelo menos com uma ideia de punho levantado visto a casquinha não ter membros, explicou-me que eu estava a ser um idiota (obrigado, eu já sabia!) , que não tenho andar a exacerbar sentimentos, que as coisas acontecem naturalmente (obrigado, eu já sabia!). Para casca de amendoim, a minha amiguinha estava a debitar muitos lugares comuns.

Lembrou-me do meu braço esquerdo, da palma das minhas mãos e que o futuro nunca está escrito em lado nenhum. - Lembrou-me o tanas, eu já sabia, só que por vezes esqueço-me!

Fiz um café, pus a tocar "What's the ugliest part of you body?" do Zappa, era uma provocação barata, mas não resisti em insistir, a minha deve ser o nariz e a tua? A desgraçada, chorou, ou pelo menos pareceu-me ver umas lágrimas a escorrer pela sua cara (já tinha bebido, é verdade). Refilou que podia não ter corpo mas ao menos tinha cabeça, que não passava a vida com o coração aos pulos e que não tinha sonhos com mulheres cigarro a tentarem pegar fogo a casas. Um amor esta amiguinha, para quem dizia que ia conhecer o mundo nas asas do sonho estava muito pouco sonhadora. Atirei-a janela, se ela queria conhecer o mundo, bem aí tinha uma oportunidade.

Acendi um cigarro, comecei a ver um filme independente, e quando a actriz principal iniciou um monólogo com a frase "Fuck this fucking fake tits, you fucker!!", percebi que estava a perder o jogo e nada disto vale a pena ser levado a sério. A vida não pode ser uma coisa séria quando há filmes com falas do tipo "Fuck this fucking fake tits, you fucker!!".

PS: O argumentista deve ter escrito o papel a pensar no Duffy Duck, que provavelmente não estava disponível.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Muito boa nova!!! A casca de amendoim está envolta num guardanapo deitadinha na mesa da sala. A minha amiga ainda não me deixou.
É verdade a casca de amendoim abandonou-me. Conseguiu o seu bilhete para liberdade. Espero que tenha encontrado a felicidade que procurava. Sou egoísta, sinto alguma mágoa, já não tenho com quem falar sobre o meu amor nas noites que estou sozinho em casa.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

As lágrimas de whisky acompanham-me, penso nela outra vez, há uma semana que outra coisa não me sai da cabeça.
Vario entre o sentimento de felicidade extrema pelo sentimento que me consome e o desespero por não ser capaz de ter a mínima ideia do que se passa do outro lado do espelho. As mulheres sempre tiveram o talento de me lixarem a cabeça. Mesmo assim, por cada uma que passa penso que a experiência angariada me traz sabedoria, que percebo melhor como elas são e compreendo mais profundamente os meus próprios mecanismos mentais. Mas o conhecimento não me serve de nada, as noites são sempre iguais... brancas.
E quero ser forte, quero ignorar o sentimento, ser mais forte do que ele. Dizem que é assim que se conquista as mulheres que queremos, mas não sou capaz, sinto vontade de fazer exactamente o oposto dos concelhos do cohen

Ah but a man never got a woman back
Not by begging on his knees
Or Id crawl to you baby
And Id fall at your feet
And Id howl at your beauty
Like a dog in heat
And Id claw at your heart
And Id tear at your sheet
Id say please, please
Im your man

diz ele. Não sou capaz, por minha vontade acampava ao lado da sua cama e passa a noite dizendo-lhe palavras doces até ela me mandar passear enjoada com o doce das minhas palavras.

10h06m : Nunca tentar dormir com a cabeça ocupada com memórias de uma mulher e sabores de tabaco. A noite será horrível com sonhos de mulheres cigarro com cabeças a arder que fogem de nós com gritinhos de prazer. Algo parecido com a canção dos Suede mas em mau.

14h23m : Primeiro cigarro ao fim de 36 horas, a ligeira tontura do fim da ressaca lembrou-me que no meu sonho a minha pequenina casca de amendoim tinha sido queimada por uma das mulheres cigarro. Não me lembro de a ter visto hoje de manhã, será que o sonho não foi um sonho e a minha casa foi de facto invadida por um maço de mulheres cigarro?

domingo, janeiro 20, 2008

Ontem durante um jantar cá em casa a casca de amendoim foi pisada, com esmagamento conseguiu aproximar-se 2 centímetros da porta da rua. Não tive coragem para me aproximar dela e lhe perguntar como estava, parece estar com muito mau aspecto, mas se a sua felicidade está na rua, ele vai no bom caminho, abençoada seja por acreditar.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Tenho uma casca de amendoim no chão da sala, está lá desde domingo, diz-me que está a percorrer o longo caminho para a felicidade. Quando lhe pergunto, como pode lá chegar se não tem pernas, sorri e fala-me nas asas do seu sonho.

Coitada, está no mesmo sitio há dias e no entanto pensa que voa.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O Cacém

Eu nasci e vivi toda minha vida num subúrbio. Não é dos sítios mais bonitos do mundo para viver, qualquer aldeia do interior em que os vizinhos se matam por 10 centímetros de terra é bem mais bonita do que Almada. Mas, talvez por ser a minha terra, sempre senti que era um bom lar para mim e que tinha vizinhos simpáticos e interessantes. Se calhar é tudo ilusão minha e Almada é uma terra tão linda e com tanto charme como Ranholas. Como as outras esta ilusão é importante e sinto-me feliz sempre que olho pela minha janela vejo o Tejo e os putos a jogar à bola.

Hoje por azar, esquecimento e alguma estupidez, vi-me na estação de comboios do Cacém há espera do comboio para Lisboa, onde eventualmente iria apanhar transporte para o meu lado do rio.
Ao chegar ao Cacém a primeira coisa que me chamou a atenção foi a mini-saia rosa choque do uma mocinha loira platinada. É um pouco estranho mas só depois de reparar no cabelo e na saia é que reparei que a mocinha era preta. Nada contra os pretos, amarelos, verdes, cor-de-rosa às bolinhas, ciganos e todas as raças que por falta de memória me esqueci de mencionar, mas... como é que eu posso dizer isto... a mocinha tinha todo o ar de puta, pelo menos vista de costas. Para minha infelicidade e alegria de uma meia dezena de jovens, a mocinha voltou-se. Pois bem, os brincos eram verdes alface, o decote mostrava uma tatuagem com o dizer "António no Coração" e apesar das roupas justas assemelhava-se bastante ao boneco da Michelin. Verdade, também era feia, mas isso coitadinha ela não tem culpa, aliás nem sequer tem culpa de se vestir como uma puta reles, as coisas são o que são e ninguém tem culpa de ser como é, a culpa se é de alguém é da sociedade.
O jovens que tanto gostaram da mocinha, da sua elegância e do seu charme, eram certamente de esquerda, com o seu ar de rapper interventivo na sociedade, começaram um pequeno debate sobre a melhor forma de "obrigar os gajos a trocar este caixote do lixo que está todo fodido". Dei por mim a mal dizer-me por estar a julgar as pessoas pelo aspecto e, a pensar que a melhor solução para grande parte da linha de Sintra, passava pela utilização de bombas. Os jovens chegaram a uma conclusão, certamente a mais acertada. A estação dos comboios parece o cenário de um filme sobre a 2ª guerra mundial. Por alguma razão, calculo que seja por muitos antes deles terem tomado consciência da mesma verdade "se nós fodermos esta merda toda eles não têm outro remédio senão substituir".. Eu já fiz o mesmo. Quando andava na escola e quis uma máquina de calcular nova, inadvertidamente parti a que tinha ao meio com a ajuda de uma pedra da calçada. Compreendo absolutamente o seu ponto de vista. Assim dito, assim feito! Partiram o que restava do caixote do lixo, decorando o chão com cascas de banana, latas de coca-cola, uma garrafa de sagres e exemplares dos vários jornais gratuitos que informam e cultivam a populaça do subúrbio. Dei por mim novamente a pensar! ...eu cometo este erro regularmente... que eles se calhar tinham razão. Tinham de mostrar que não merecem ser tratados como bichos.
Havia gente mais velha na estação, gente que apesar do medo que aparentavam (Como é que se pode ter medo de jovens que só querem o nosso bem?), diziam baixinho: Há jovens piores que animais! E que eram pessoas assim que davam mau nome ao Cacém. Essas pessoas, de ar maduro e responsável, não faziam nada, não fazem nada, não sabem o que fazer para melhorar as suas vidas. Ou simplesmente têm medo do tau tau que podem levar se abrirem a boca.
As pessoas merecem um bocadinho de respeito. Merecem viver num sitio que não se pareça com um cenário de guerra . Os putos podem não agir da melhor forma, mas ao menos mostram que têm consciência que a passividade não leva a lado nenhum. Se alguém de bom coração e algum poder ler isto... Eh! Pá! ... façam o favor de melhorar o aspecto daquela merda! O risco de não serem necessárias bombas para implementar o meu projecto de embelezamento do Cacém, existe! É bom que se tenha consciência disso.

Esta história da culpa é de todos e, de ninguém particular, até pode ser verdade. Também é verdade que é complicado tomar decisões. Mas eu fiquei com dores de cabeça devido ao mau gosto da namorada do António, e não gosto de ter dores de cabeça. Assim sendo, se não fazem nada por eles, visto eles serem uns animais, façam-no por mim, que corro o risco de, por estupidez, esquecimento e azar ter de voltar à estação do Cacém.

Muito obrigado.
Obrigado, muito obrigado a todos. Aos amigos, às namoradas, às paixões que me fizeram chorar. Se cresci e sou um homem (Gosto de pensar que o sou!) é por vossa causa. Obrigado, pelos pontapés nas costas, pelos abraços e pelas discussões alcoólicas de final de noite. Obrigado pelos bons conselhos que eu não ouvi, pelos conselhos parvos me fizeram rir e os conselhos errados que eu segui.

Devo-vos tudo. Em pouco mais de dez anos perdi muitos medos e ganhei alguma (ainda que pouca!) coragem para lutar por aquilo que quero, ganhei acima de tudo que a certeza que não conseguir o que desejo não é o fim do mundo, o importante é sentir o desejo e correr atrás dele. Obrigado pelas memórias que tornaram a minha vida uma coisa interessante e pelos momentos que estão para vir que me dão a certeza que vale a pena ser vivida.

Obrigado a todos, do fundo do meu coração. Sem vocês não seria nada, convosco sinto-me capaz de tudo.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Tenho uma vista linda para o Tejo da minha casa, a vista perfeita para ser acompanhada por esta música e uns pensamentos que eu cá sei.




O Tenente tem razão eu sou um ratão.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

A pedido de algumas familias, copiu o post do Rodrigues para aqui diz que não conseguiam fazer comentários.

Confissão:

Tenho 31 anos, tenho o cabelo grisalho e por enquanto sou heterossexual. Sou razoavelmente feliz. Estou apaixonado de uma forma pouco razoável. Uso boxers comprados por ex-namoradas e acabei de almoçar 3 cafés e 2 cigarros. Sei fazer contas de dividir e gosto de comprar whiskies caros. Deixei de gostar tanto de camisas para preferir t-shirts de mangas compridas. Sou simpático com os velhinhos e gosto de crianças. Quero ser pai e aprender que tenho de me levantar cedo todos os dias. O benfica perdeu mas o Maior continua a ser O Maior. Gosto de Deus, acho que seria porreiro acreditar nele. Gosto ainda mais de Jesus e acho fixe ele ter feito aquelas cenas. Não gosto de mulheres gordas que me tentam roubar beijos. Gosto ainda menos de homens bêbados que me tentam dar a mão. O Frank Zappa era tarado e o Tom Waits foi bêbado. Sinto-me mal quando blasfemo mas não consigo evitar. Aprecio o cheiro a terra molhada e bife com batatas fritas. Há quem diga que sou um triste, outros dizem que eu sou o maior mas a maioria não tem opinião formada. Masturbo-me todos os dias e consigo passar horas a ver a tv-shop. Tenho uma dissertação do Ezra Pound sobre o Camões e queimaduras de cigarros. Tive cancro e um canário amarelo. Pago 380€ de prestação da casa e mobília do Ikea. Tenho medo de andar de avião mas não me importo de não usar cuecas. Era para me chamar João Carlos e a minha mãe é coxa de uma perna. Tenho 2 calos e um Tarot de Marselha.

Tenho 31 anos, mais alguns anos de vida pela frente, quero ser mais feliz e aprender a ser um homem com projecto de vida.
Quero ficar contigo esta noite. Eu sei que é impossível que tens coisas para tratar bem mais importantes do que eu, mas quero ficar contigo estava noite. Não precisas de ficar, não precisas sequer tem vontade de ficar, o facto de ser capaz de eu admitir que quero ficar contigo esta noite basta-me para me sentir mais feliz.
Quando era gaiato comprava revistas porno numa banca que havia no terminal de autocarros em Cacilhas. Lembro-me desse tempo com saudade, era verdadeiramente feliz, as pessoas que me rodeavam beijavam-me o dia todo e eu sentia o carinho e a alegria de ser uma criança amada. Com o tempo fui recebendo menos beijos. Cada vez menos beijos, hoje em 6 horas de dia nem um beijo, nem sequer um par de lábios me tocou na pele.
A verdade é que perdi o descaramento de pedir beijos. Sou um homem crescido e os homens crescidos não precisam de beijos para conseguirem viver e não andam pela vida a pedinchar beijos às pessoas de quem gostam.
E depois de muito pensar o senhor padre ficou careca. Não sabia onde pôr Deus. Estava em toda a parte, o que está em toda a parte é muito difícil de arrumar e a igreja é um sitio decente, não pode estar toda desarrumada.
Fumou um cigarro, até os homens de Deus têm direito a pequenos vícios... e no caramelo viu a luz: Ele não sabia onde O guardar porque não era digno, talvez limpando o seu interior já estivesse à altura do Senhor. Benzeu 3 litros de água tépida e fez um clister. Com o seu interior limpo e puro percebeu, que o lugar de Deus é o no coração, não em gavetas e muito menos em livros de capa dura.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Vamos fazer um jogo. Vamos fazer de conta que tudo que tu estás a pensar é um sonho. Adormeces a seguir de beber o teu café e na manhã seguinte vais trabalhar. Nada de relevante pois não? Nada de especial? Porque é que pensas que se aquilo em que acreditas é mentira a manhã vai ser diferente?

E dou-te a resposta: Porque és imbecil.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Perdi antes de ter começado a jogar. Não compreendo... é como a canção do Cohen, "lips that say come on take me, and then they make you say please". É como me convidarem para jantar na sua casa e não me darem sequer um copo de água. Não percebo, não entendo de forma alguma. Se não queremos o abraço porque razão estendemos os braços?
A questão aqui não é muito nova, nem particularmente interessante é só uma mulher. E as mulheres fazem isto, pelo menos têm-me feito isto repetidas vezes ao longo da vida.

* Está a dar um filme na tv, não me lembro dos nome dos actores, nem sei qual é o filme, sei que o personagem principal do filme vive em função de mulheres que constantemente lhe dão com os pés. Deve ser um filme do Woody Allen. Será isto uma coincidência? *

E acabo por me sentir imbecil por ser heterossexual, por gostar honestamente de mulheres e acreditar no que elas dizem. Dizem-me que eu atraiu o tipo errado de mulheres, as mulheres que eu não quero. Pois bem... eu não sei que tipo de mulheres é esse, nem sequer sei que tipo de mulher eu quero.... a única coisa que de facto me afasta de uma mulher é ela não ter vagina... sou um pouco básico nos gostos, como em tudo.

domingo, janeiro 06, 2008

Adeus Pacheco, muito obrigado por tudo o que me deste.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Absolutamente preso. Preso não sabes muito bem ao quê, a uma memória? A memória de quê não fazes a mínima ideia, talvez do sorriso? O sorriso provocado por o quê, talvez por ti?

Lindo idiota, enche-te esperanças patetas de sonhos que nunca vão ser vividos. Tu já conheces a história, insuflas como um balão, só para depois rebentar, exactamente como um balão. E esse é sempre o fim da história, meu caro.

Dedica-te a coisas da tua altura, não construas sonhos demasiado altos que apenas servem para te enterrares no fracasso inevitável.

Não respondes. Ignoras os meus conselhos e esperas mais tarde eu aqui esteja para te ajudar a apanhar os cacos do chão. Eu garanto-te que um dia, e não há de faltar muito vou-me cansar de estar de joelhos a apanhar as tuas lágrimas. Nesse dia vai perceber que estás absolutamente sozinho, sem a tua moleta racional para te apoiar quando não tens forças nos joelhas para te pores de pé e nesse dia vais finalmente secar como o falhado que sempre quiseste ser.

Sim meu caro, esse dia vai chegar, isso eu te garanto... estou cansado de chorar por tua causa.

terça-feira, janeiro 01, 2008

A caminho de gastar dinheiro em cervejas demasiado caras: Devo-te convidar para alguma coisa, é assim que se fazem as coisas, pelo menos é o que eu vejo nos filmes..
Sorriso franzir de sobrolho de Sylvester Stalonne: ... (baixa os olhos e sorri)
A caminho de gastar dinheiro em cervejas demasiado caras: O que é que achas melhor? Café? Almoço? Jantar? Cinema?
Sorriso franzir de sobrolho de Sylvester Stalonne: Cinema era boa ideia, mas não sei...
A caminho de gastar dinheiro em cervejas demasiado caras: Não sabes? Eu pensava que estava tudo a correr tão bem.
Sorriso franzir de sobrolho de Sylvester Stalonne: Sim. Não. Mas... Para quê? Acabaremos por nos voltar a encontrar aqui.

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