sexta-feira, outubro 31, 2003

Morri ontem à noite, numa casa de putas em Lisboa, enquanto eu meu corpo ria ao som de gritos de "gostas pouco, gostas! Sua puta!" ritmados por o que pareciam ser palmadas no rabo de uma senhora de vida fácil.

segunda-feira, outubro 27, 2003

Como nem tudo na vida é deprimente, um pouco de dor de corno para variar:

Poema I
Tenho 24 cadernos cheios de merda,
Uma gaveta cheia de pesadelos patetas,
um Maço de tabaco cheio de pregos para o meu caixão
E milhares de ideias para o suícidio perfeito.

Em folhas dispersas tenho ideias
Para a carta de amor perfeita
Que nunca vai ser escrita.

Amigos prontos para me espetar uma faca nas costas,
Ex-Amantes que me dizem o melhor dos homens
E 5 queimaduras de cigarro que me lembram:
“A desilusão é o destino de todos os sonhos”.


A Verdadeira dor de corno

Não sei amar, toda a minha inteligencia de nada serve quando olho para ela.
Em criança nunca olhei para o amor como sendo real, era apenas mais uma ficção contada por velhos na hora das novelas. Quando ele surgiu pela primeira vez, apanhou-me de surpresa, a ficção transformada em realidade, uma realidade que não fazia sentido, uma realidade irracional.

Desde aí vivo com ele todos os dias e ele continua a ser uma parte artificial da minha alma, algo que não devia existir.

Merda para o amor e para todas as coisas que eu não entendo!
Merda!

(A nuca da mulher no canto do café faz-me lembrar a outra que mora nos meus sonhos de todas as noites)

Quero de volta as paixões desapaixonadas das mulheres da minha infancia,
Os seus homens sérios de pequenas traições conhecidas.
Quero não pensar no amor, não perder horas a fazer sentido da loucura.

Penso no amor que sinto por ti, conspurco o sentimento com raciocínio e lógica que de nada me servem, a não ser, prolongar a dor de te não ter.

sexta-feira, outubro 24, 2003

25 mil virgens enganadas por um capitão Roby, abraçam imagens de nossa senhora, desiludidas com os homens, com os malditos que lhes roubam a dignidade e lhes oferecem em troca uma vergonha que nunca mais a deixará. Querem de volta os sonhos de criança e o toque quente e estéril do seio maternal.

25 mil virgens ninfomaniacas rezam a nossa senhora da agonia pela chegada do homem que as vai enganar, fazendo renascer o desejo por um consolo de mãe na hora da perda.

25 mil homens sinceros derramam em lençois brancos sémen de desespero e solidão. Sentados em paragens de autocarro esperam pela mulher que os vai desejar e invejam os porcos insensíveis que já conheceram cada milimetro do seu corpo e a dor dos seus gemidos.


mande-me à merda, sff

O betão dos pilares do Cristo Rei é feito de vaginas de meninas virgens, o único material suficentemente puro para retratar o nosso salvador. De uma forma quase poética esta foi também uma forma de manter a tentação presente no nosso Cristo cinzento. Seria cómico se algum dia o Senhor se deixasse caír em tentação.


mande-me à merda, sff

quinta-feira, outubro 23, 2003

117 pinguins passeando pelo Parque Eduardo VII encontram a Cinderela, no desespero do desemprego tinha feito uma operação de mudança de sexo e prostituia-se em troca de pacotes de cinza e ratinhos da India.

O Pai Natal todas as manhãs faz a barba e vai para a porta dos infantários oferecer chocolates a menores de 3 anos nas esperança de encontrar o amor da sua vida, alguém com uma alma tão inocente como ele.
Tento engolir os meus pecados todos ao pequeno almoço, o vómito aparece sempre. O hálito a vómito vive comigo durante todo o dia.
Engolo à espera da manhã em que não tome o pequeno almoço e a única coisa que sobrar dos meus erros for o esquecimento.

quarta-feira, outubro 22, 2003

25 mulheres fechadas numa sub-cave discutem os seus futuros casamentos, nunhuma delas acredita no amor, nenhuma delas imagina sequer o seu principe encantado, mas todas sem excepção preferem vestido pérola e casamentos em igrejas.
Isto não é mais ou menos a mesma coisa que um tipo sem colhões pensar em ter um filho?
Confissão:

Só depois de ter sido violada pela corporação de bombeiros de alguidares de baixo é que encontrei a felicidade. Só depois de ter sido usada e abusada por 250 homens viris me apercebi que a felicidade está nas pequenas coisas: no peido matinal, no frio de mosaico de casa de banho depois do duche e nas canções do Toni Carreira.
Depois do Sangue e do esperma não há nada como um chá de tília e um saco de gelo.
Um homem honesto, vestido com o fato de velório do seu avô compra pelos pubicos a meninas de 12 anos, na esperança de um dia encontrar uma razão para se matar.

Um mulher gorda, sem mamas passeia a sua alegria pelas tabernas. A sua mãe acabou de dar à luz um bébé magro e sem braços, que um dia vai fazer a felicidade de uma ex-puta sem cona.

Na avenida que nos pode levar para o paraíso convém fazer uma pausa no bordel do nº7, é bom ter uma memória das mulheres sérias para guardar para a eternidade.

Meter o caralho no casquilho do candeeiro da sala, vamos todos sentir o amor de baixa tensão.

quarta-feira, outubro 08, 2003

Há imensos filhos da puta por aí, para quem pensa que eles existem num local especialmente desenhado para eles isto pode ser um choque, mas eles estão espalhados por toda a parte. No trabalho, em casa, no café, no entanto o melhor sitio para os encontrar é domingo de manhã a assistir a uma missa. Como aqueles cabrões gostam de Jesus, até faz impressão. Não gostam de Jesus por ele ter sido um gajo porreiro que ajudava os outros, claro que não! Eles gostam de Jesus porque ele teve uma vida de merda cheia de sofrimento. Sentem-se bem a olhar para a imagem do tipo, pregado a uma cruz, enquanto pensam "Por muito má que a minha vida seja, a dele ainda consegue ser pior!". Essas criaturas caridosas, boas, que ajudam os velhinhos e os doentes e tudo o que pedem em troca é a visão de uma miséria maior que a deles. Quando isso é impossível, pois bem... Eles fazem um esforço terrível para chatear os outros que os rodeiam, primeiro falam dos seus problemas, tentam tocar no nosso coração e transmitir-nos a sua infelicidade da merda das suas vidas. Mas nem sempre isso resulta, aí, com a sabedoria de quem já passou por mil e uma privações demonstram que a nossa vida é uma merda, continuam com o seu discurso até conseguirem ou que alguém os mande à merda. Seja como for ficam sempre a ganhar, no primeiro caso o objectivo foi comprido, o universo dos infelizes ganhou mais um sócio, no segundo caso, por mais incrível que pareça têm um bónus, o mundo ainda é pior do que pensavam e a sua infelicidade ainda é maior.
Talvez estes filhos da puta sejam as únicas criaturas realmente felizes no mundo, no meio da sua miséria e de todas as suas chatices, eles são felizes pois não saberiam viver de outra forma.
Devo experimentar esse caminho, a partir de amanhã vou tentar ser o maior filho da puta do mundo. Só posso sair a ganhar, se conseguir, vou ser uma pessoa mais feliz, por encontrar alegria em tudo o que é merda que me acontece, se não conseguir, vou ser uma pessoa mais feliz por ser melhor do que todos os filhos da puta que rodeiam.

domingo, outubro 05, 2003

Estive a ler alguns blogs e fiquei com a impressão que os bloggers são todos uma cambada de filhos da puta que nos achamos melhores que o resto do mundo. O mais grave ainda é que a maior parte deles pensa que o mundo nos trata mal por uma razão desconhecida mas sem dúvida injusta. E mesmo assim sofrem com o mundo, preocupam-se com as pessoas, e são bons com as velhinhas. Puta que vos pariu a todos!
Se o mundo é tão cruel, tão mau, tão cheio de cabrões, para quê viver nele?
Seria muito mais fácil subir ao topo do Cristo Rei, uma vista magnifica diga-se de passagem, e mergulhar no infinito, daí a poucos segundos iam estar na presença de Deus nosso senhor, que é bom e carinhoso, de rabo para o ar a levar uma enrabadela de salvação!
Em nome de todos os cabrões do mundo eu vos desafio! Matem-se! Acabem com o vosso sofrimento e acima de tudo com o meu tédio de partilhar o mundo com gente como vocês!