terça-feira, setembro 12, 2006

Então sempre era verdade, tudo o que eu esperado durante 30 anos existia do outro lado de uma linha de telefone. O seu nome era Maria, do Calvário dizia ela. Gostava de cinema, poesia do século 20 e de pasteis de nata sem açúcar nem canela. Era bonita e tinha um peito generoso. Quando terminasse o seu mestrado em ciências politicas iria para a Libéria ajudar as crianças necessitadas. O seu nome era Maria, do Calvário dizia ela do outro lado da linha. Calvário porque tinha tido uma vida muito difícil quando era nova, que o seu a pai a violara , que a sua mãe era um puta que passou a oferecê-la aos seus clientes. quando por entre choro, gritos e ranho a filha (Maria) lhe contou que o pai abusava dela. Mas tinha força, tinha coragem, depois de 18 anos de sofrimento e maus tratos conseguiu fugir para Évora onde agora trabalhava numa loja de ferragens pertença de uma tia que cortara as relações com o resto da família. E lá aprendeu tudo o que lhe faltara o resto da vida. Lá se tornou uma mulher amada e feliz. E lá começou a trabalhar para as linhas eróticas ganhando dinheiro para pagar as propinas do mestrado, a vida continuava a ser-lhe difícil mas agora era feliz. E Fiquei sem saldo no telemóvel, na cabine multibanco mais próxima carreguei-o com 100€ mas quando voltei a ligar já não encontrei a minha Maria .. do Calvário nas suas palavras. Tinha encontrado a minha mulher do outro lado da linha telefónica esta tinha por graça Graça de Jesus e órfã de pai e mãe e vendia pensos no metro de Lisboa.