Apaixono-me, fico sem poder de reação e sou sincero, outras vezes faço de conta que estou apaixonado apenas para partilhar momentos de falsa sinceridade com uma mulher. Gosto de estar perto delas e saber o que elas sentem. Os problemas surgem quando me apaixono verdadeiramente.
Nunca partilhei nenhuma relação por uma mulher por a qual me tenha apaixonado. É razão é muito simples: perante a paixão sou, como já disse, absolutamente sincero. Não consigo guardar o sentimento dentro de mim. Faço esforços hercolianos para tal, mas são esforços falhados. Ao fim de pouco tempo, sou um Shakespeare sem talento derramando palavras de amor sobre a mulher desejada. Ela, e elas são todas iguais, pelo menos neste aspecto, fogem perante as tais demonstrações de amor. A mulher, tanto quanto me foi dada a conhecer, gosta ser apanhada de surpresa, como um pequeno Bambie que descobre o que quer dizer a eternidade quando sente os dentes do tigre no seu pescoço. Nenhuma mulher gosta de ouvir declarações de amor, a não ser quando já desesperam por elas. Por isso sempre me foi mais fácil seduzir as mulheres por quem não sinto a necessidade de demonstrar amor.
A verdade, verdadinha, seja eu ceguinho, é que as mulheres por quem eu me apaixono são muito mais interessantes do que aquelas por quem acabou ter relações que duram anos. São sempre mais inteligentes, mas bonitas e mais problemáticas. Digo isto com conhecimento, pois apesar de passar tempo com as mulheres com quem sou obrigado a partilhar a vida, também o passo com as outras cujos lábios me dizem beija-me e me obrigam depois a pedir por favor.
Mas agora tenho cabelos brancos e estou cansado de estar com mulheres com quem pouco ou nada posso partilhar. Quero definivamente a Mulher, por isso vou bater com a cabeça na parede até a ter. Mesmo que para isso tenha que travestir os meus sentimentos e transformá-los em paixão passada que agora são apenas amizade.
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